Primeiro, foi uma imagem, como uma fotografia pendurada na parede da memória. Depois, a primeira frase, que puxou a segunda, em forma de diálogo. Era um fim de tarde e eu estava numa agência de publicidade em São Paulo. Guardei o papel no bolso e fui para casa. No dia seguinte não voltei ao emprego. Fiquei em casa escrevendo o primeiro capítulo de um romance que veio a se chamar “Essa Terra”, reescrito 14 vezes, naquele mesmo dia, e no qual, de cara, matei o personagem principal. Como, então, manter um nível de tensão, capaz de prender o leitor, dali por diante? Este foi apenas um dos muitos desafios que enfrentei na criação desse romance – que saiu com uma tiragem inicial de 30 mil exemplares, ficou semanas na lista da Veja, foi traduzido em muitos países e até hoje tem edições contínuas no Brasil – que vou contar, revelando algumas saídas que o romancista pode encontrar quando se sente encalacrado.

 


Antônio Torres