fbpx

Aula Inaugural do 1º semestre de 2020 do IEL

João Cabral de Melo Neto: a Pedra que lateja

Com José Castello

Aula Inaugural do 1º semestre de 2020 do IEL, Instituto Estação das Letras

 

A Aula Inaugural do semestre que o Instituto Estação das Letras oferece a seus alunos, amigos, professores e público em geral tem como tema a poesia de João Cabral de Melo Neto que em (2020) faria 100 anos. Esse evento, especialíssimo, terá como condutor ninguém menos que um de seus críticos e leitores mais importantes: o jornalista e escritor José Castello que teve a alegria de conviver com o autor , escrevendo alguns ensaios sobre seu trabalho e o livro: João Cabral: o homem sem alma(Ed. Bertrand Brasil)

 

Sobre o evento e sobre o autor, José Castello escreve:

Vinicius de Moraes disse, em um poema antigo, que João Cabral de Melo Neto é um “poeta diamante”. Brincava, também, afirmando que o amigo fazia uma “poesia de cabra”, ou até “poesia de pedra”. A fama de duro, racional, inflexível, sempre esteve associada à figura de João Cabral. Mas será ela mesmo verdadeira?

No início dos anos 1990, trabalhando em um projeto que resultou no livro “João Cabral: O Homem Sem Alma” (Bertrand Brasil), tive a chance de fazer vinte e duas entrevistas com o poeta. Os primeiros encontros, de fato, confirmavam a imagem do homem seco, pragmático, sem sentimentos, que comparava o fazer do poeta à atividade fria do engenheiro.

Com o avançar de nossas conversas, porém, essa imagem inicial foi se rasgando e, em seu lugar, surgiu diante de mim a figura de um poeta aflito, melancólico, atordoado por paradoxos, sentimentos impulsivos e contradições. A imagem do “poeta sem alma”, de que tantos falam, se desfigurou. Aos poucos, entendi que João Cabral usou a poesia, antes de tudo, como uma armadura que o protegeu do mundo.

Na verdade, se a lemos com cuidado e, sobretudo, sem preconceitos intelectuais, tudo isso já está na própria poesia de João Cabral. Menino ainda de calças curtas, eu já tinha que conter as lágrimas para atravessar as páginas de “Morte e vida Severina”, ou de “O cão sem plumas”, poemas que comecei a ler em torno dos 11 ou 12 anos, e de que nunca mais me separei.

Desde então, não parei mais de pensar nesse poeta frágil e sensível que se esconde sob a casca grossa das palavras. Nesse homem que, “por incapaz do vago”, como ele mesmo diz em um poema, se escondeu detrás de versos duros e resistentes. Uma pedra lateja no interior da poesia de João Cabral de Melo Neto – e é sobre ela que me proponho a falar.


Dia 28/01 (terça)

ÀS 16H

Local: SESC Flamengo

Entrada Gratuita

Aula aberta